CRÍTICA | 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição

by Thiago de Mello

12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição é um filme superficial. A violência retratada finge ser um artifício para debater importantes questões morais e sociais. Mas ao analisar mais atentamente, é possível notar que ela não passa de selvageria gratuita. Gráfica e bem feita, sim, mas gratuita.

Dois anos após a conclusão de Uma Noite de Crime: Anarquia, o policial Leo Barnes (Frank Grillo) se tornou o responsável pela segurança da senadora e candidata à presidência,Charlie Roan (Elizabeth Mitchell), que promete acabar com o bárbaro feriado “Noite de Crime” – onde durante 12 horas qualquer crime, incluindo assassinato, é permitido. Mas é ano de eleições e a votação só acontece após a “Noite”. Assim, Barnes e Roan precisarão, antes de mais nada, sobreviver.

12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição

12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição

Embora o título não deixe claro, 12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição é o terceiro filme da franquia The Purge(iniciada em 2013 com Uma Noite de Crime, e seguido por Uma Noite de Crime: Anarquia, de 2014). A proposta é bastante interessante: o ser humano é bom e mal, logo, extravasar sua maldade inerente é um necessidade, criando-se, assim, um subterfugio para a humanidade expurgar (“purge”, em inglês) essa selvageria. Seria uma análise intrigante. Mas não é o que o filme faz.

12 Horas se contenta em “abordar” o tema através de uma exposição masoquista de máscaras, assassinatos e estereótipos. A violência, que busca retratar um tipo de catarse, é um mero artifício para chocar, assim como as máscaras, que não passam de detalhes estéticos. Mas o pior são os estereótipos que o filme não cansa de expor. O negro da periferia, o latino de um país violento, os brancos ricos malvados. Personagens rasos e triviais que parecem, em alguns momentos, iniciar debates sobra a dualidade humana, sobre a distopia retratada, sobre o interesse de classes dominantes, etc. Mas o que acontece é uma exposição de diálogos fracos, de preconceitos e argumentos rasos. E isso afeta diretamente as atuações, que apenas refletem a densidade de cada papel.

O desenrolar da trama também é problemático. O roteiro de James DeMonaco, que também dirige o longa, utiliza um recurso bastante preguiçoso: a coincidência, presente em vários momentos pontuais. O que fica é a impressão de que não havia vontade de contar uma história, apenas expor crueldades. Um dos exemplo disso é sobre um pequeno arco no filme que flerta com uma crítica ao Sonho Americano, e que seria bastante interessante se não fosse a infantil motivação da personagem. Pode-se até argumentar que a própria motivação simboliza crítica ao Sonho Americano, mas não funciona. O exagero deixa a cena sem peso e meramente alegórica.

12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleição é instigante, mas não da maneira almejada. O filme propõe boas sugestões de debate, mas nunca se arrisca a se aprofundar nelas. Além disso, ele foca mais do que deveria naquilo que deveria ser apenas um artifício, e deixa o principal de lado, o que é uma pena. É sempre chato ver boas ideias sendo mal executadas.

12 Horas Para Sobreviver – O Ano da Eleiçãoestreia em 06 de outubro.

Gosta da franquia? Quer ver o filme? O que achou da crítica? Deixe seu comentário! E não esqueça de curtir e compartilhar! O Sete agradece!

 


 

Gênero: Ação/Terror/Sci-fi
Duração: 1h49
Classificação: 16 anos
País: EUA
Direção:James DeMonaco
Roteiro:James DeMonaco
Cinematografia
: Jacques Jouffret
TrilhaSonora:Nathan Whitehead
Elenco: Frank Grillo, Elizabeth Mitchell, Mykelti Williamson, Joseph Julian Soria, Betty Gabriel, Terry Serpico, Edwin Hodge

 

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