CRÍTICA | A Luz Entre Oceanos

by Thiago de Mello

A Luz Entre Oceanos, novo romance/drama de Derek Cianfrance (O Lugar Onde Tudo Termina, Namorados para Sempre), é muito bem dirigido, contém belas fotografias, ótimas atuações, uma boa trilha sonora e diálogos marcantes. Entretanto, não é um filme fácil de assistir. Cianfrance trabalha com dedicação em ambos gêneros explorados, principalmente o drama. Mas após um tempo, depois de tanto sofrimento dos personagens, a experiência torna-se exaustiva. Um ótimo filme, sim, mas cansativo.

Tom Sherbourne (Michael Fassbender), após voltar da Primeira Guerra Mundial, aceita ocupar o posto de faroleiro numa remota ilha ao largo da costa oeste australiana. Únicos habitantes de Janus Rock, Tom e a sua esposa Isabel (Alicia Vikander), vivem uma vida pacata, isolados do resto do mundo. Até que um dia, um barco à deriva chega na ilha, transportando um homem morto e um bebê. O casal resolve cuidar da criança, ao invés de relatar o ocorrido às autoridades. A partir daí, a vida deles muda drasticamente.

A Luz Entre Oceanos

A Luz Entre Oceanos

A Luz Entre Oceanos é um romance dramático sobre atos e consequências. Cada personagem, em algum momento, precisará tomar uma decisão determinante. É a partir dessas escolhas que os protagonistas, até então simples e bidimensionais, ganham camadas e complexidades, evoluindo aos olhos do espectador. Essa construção ocorre pacientemente. Se não fossem as atuações primorosas de Fassbender, Wikander e Weiss, esse lento desenrolar seria maçante, ao invés de envolvente.

É tão impossível quanto desnecessário escolher a melhor atuação do filme. Cada ator, com menos ou mais tempo em cena, entrega momentos verdadeiramente emocionantes, seja no romance, seja no drama. São personagens humanos, falhos, compostos por características próprias e moldados pela vida e pelo tempo. Não há como não se envolver com suas histórias e escolhas. Após algum tempo, o espectador cria laços empáticos com os protagonistas. Assim, o envolvimento emocional ganha mais profundidade. Cada decisão tomada pelos personagens, certa ou errada, acaba justificável. E até incentivada.

A direção de Clairfrance ocorre sem fugir de seu padrão, com longos takes, exploração do ambiente, grandes cargas emocionais e paciência narrativa. É um trabalho consistente, mas familiar. Embora positiva durante grande parte do filme, há momentos onde o diretor parece errar a mão. A primeira delas são as passagens temporais.

O filme retrata alguns anos das vidas dos personagens. As montagens que indicam longas passagens de tempo, porém, não dão a impressão correta de quanto tempo passou. São nos diálogos que sabemos, de fato, que transcorreram três meses ou dois anos. Há momentos em que fiquei confuso com os grandes saltos temporais.

Outro ponto complicado é a carga dramática. Embora seja um filme focado nessa emoção, depois do primeiro arco o romance cessa e sobra apenas drama. Mesmo sendo bem executado, o filme torna-se longo e exaustivo graças ao grande sofrimento dos personagens e, por consequência, do público.

E o último ponto negativo – eu nunca imaginei que comentaria sobre isso – diz respeito ao último momento antes da subida dos créditos. Não se trata da cena final, mas dos últimos frames que antecedem o fim. Numa direção tão sóbria, Clairfrance de repente cai para uma imagem absurdamente piegas.

Conclusão

A Luz Entre Oceanos é para um público específico. Não é, e nem almeja ser, apenas um mero entretenimento. O filme cria e desenvolve personagens humanos, a partir de situações e escolhas complicadas, evocando sentimentos complexos no espectador. Ao mesmo tempo, o ritmo lento e o grande peso dramático exigem paciência e dedicação.

A Luz Entre Oceanos estreia em 02 de novembro.

E você? Animado para o filme? O que achou da crítica? Deixe seu comentário! E não esqueça de curtir e compartilhar! O Sete agradece! Bom cinema! 🙂

 


 

Gênero: Romance/Drama
Duração: 2h13
Classificação: a definir por http://culturadigital.br/classind
País: EUA, Nova Zelândia
Direção: Derek Cianfrance
Roteiro: Derek Cianfrance, baseado na obra de M.L. Stedman
TrilhaSonora: Alexandre Desplat
Cinematografia: Adam Arkapaw
Elenco: Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, Florence Clery, Jack Thompson, Thomas Unger, Jane Menelaus

 

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