CRÍTICA | CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL

by Thiago de Mello

civil-war

Capitão América: Guerra Civil é o filme que inaugura a terceira fase do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM), o que é uma grande responsabilidade. Porém, o longa não se resume a apenas unir e criar um conflito épico entre os vários heróis, felizmente. Capitão América: Guerra Civil é um filme sobre escolhas e consequências.

A partir do momento em que Tony Stark (Robert Downey Jr.) revela ao mundo ser o Homem de Ferro no primeiro filme da franquia (em 2008), as consequências de seus atos, independentemente de boas intenções, o perseguem. Ao se autodeclarar um super-herói, Stark abriu a porta para o surgimento de diversos outros heróis e, consequentemente, seus antagonistas. A cada batalha, a cada inocente morto em combates megalomaníacos, Tony acumula mais dor e culpa. Aliás, o personagem de Downey Jr. Nunca possuiu tanta relevância e dramaticidade. Há momentos que o filme parece ser do Homem de Ferro.

O Capitão América (Chris Evans), por outro lado, é um soldado, herói de guerra, que sente mesma dor que Stark. Mas por conhecer os campos de batalha, sabe que é impossível salvar todos. Inocentes morrerão algumas vezes. Faz parte do trabalho, do bem maior.

O mundo já não se sente mais tão seguro com os Vingadores, principalmente após os acontecimentos de A Era de Ultron (2015). Assim surge o Tratado de Sokovia, um acordo que determina que cada membro dos Vingadores deixaria de operar livremente ou sem regulamentação e começaria a agir sob as regras, decretos e governanças de um painel das Nações Unidas, agindo apenas quando e se o painel considerasse adequado e/ou necessário.

Enquanto Tony vê no Tratado uma maneira de se redimir perante a sociedade e se abster ter que tomar futuras decisões que podem resultar em perigo para os civis, Rogers acredita que essas decisões importantes não devem ser feitas por terceiros ou por interesse. As convicções de ambos são claras e conflitantes por natureza, assim como são as de praticamente todos os demais heróis. Mas não todos.

O Homem-Formiga (Paul Rudd) aparece apenas como alívio cômico. Há cenas muito engraçadas e piadas certeiras apoiadas no carisma do ator, além de uma cena durante o combate no aeroporto que é simplesmente sensacional! Porém, ele não contribui para o mote central do filme, assim como o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), personagem que sempre gera discussão entre os fãs. Ambos não comprometem, pelo contrário: o tempo em cena que cada um dispõe é bem aproveitado. Mas não há nenhuma relevância para o debate que o longa propõe.

Apenas o Homem-Formiga e o Gavião Arqueiro destoam do peso da trama. Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Visão (Paul Bettany), Coronel James Rhodes/Máquina de Combate (Don Cheadle), Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie), Bucky Barnes/Soldado Invernal (Sebastian Stan), lutam por convicções próprias, por ideologia, por aquilo que acreditam ser o correto. Cada personagem tem um tempo para estabelecer mais camadas e profundidade. O destaque, porém, é Natasha Romanoff/Viúva Negra (Scarlett Johansson). Numa disputa onde há certo e errado em ambos os lados, Romanoff mostra uma dualidade interessante, um conhecimento das duas realidades. Ela transita entre os lados com peso e fluidez. E não há como não mencionar as cenas de ação dela, que nunca foram tão boas e imponentes. A Viúva Negra consegue roubar várias cenas.

Os mais aguardados: Homem-Aranha e Pantera Negra

Havia uma expectativa imensa quanto ao Homem-Aranha. Os trailers revelaram apenas o suficiente para elevar as esperança dos fãs. Depois de um Homem-Aranha emo e dois “Espetaculares”, fomos recompensados!

Tom Holland possui o carisma inerente, a idade certa e até a voz de quem nasceu para ser o Aranha. O uniforme, as lutas, as piadas, a inocência e a juventude retrataram o personagem como a imensa maioria dos fãs sempre desejou ver nas telonas. Ele está lá para ser um integrante poderoso e abrir as portas para uma nova franquia. É a primeira vez que o Cabeça de Teia aparece no Universo da Marvel. E que bela primeira vez! Entretanto, assim como o Homem-Formiga e o Gavião Arqueiro, ele não adicionou elementos à história.

Pantera Negra (Chadwick Boseman) também estreou com o pé direito. Nós vimos, nos trailers e artes promocionais, o belo uniforme e parte de suas habilidades. Mas a diferença entre ele e o Homem-Aranha é a motivação. T’Challa tem suas razões para entrar no conflito. Ele não se importa com a disputa ente o Capitão e o Homem de Ferro. Seu interesse o leva por uma jornada que cria uma boa profundidade no personagem que é imponente, ameaçador e cativante. O que resta agora é contar os meses, dias e horas para estreia de Pantera Negra.

Agora é hora de falar sobre a pedra no sapato da Marvel: os vilões. Com exceção de Loki, a Casa das Ideias nunca conseguiu estabelecer um antagonista de peso nos cinemas. E não foi Zemo (Daniel Brühl) que quebrou essa negativa. Ele aparece poucas vezes durante o filme, faz a história rodar, mas não cria empatia. O plano é complicado demais e o objetivo dele entra em conflito com a trama, que poderia funcionar muito bem sem o personagem, apenas com algumas adaptações.

Os irmãos Joe e Anthony Russo conseguiram criar, mais uma vez, um filme robusto a partir do que já foi desenvolvido no UCM. Guerra Civil segue a linha de Soldado Invernal: uma boa história que toma o tempo necessário para se desenvolver, oferecendo bons diálogos, carga emocional, grandes cenas de ação e humor na medida certa.

Quando o filme termina, a sensação de satisfação é latente. Capitão América: Guerra Civil encerra a trilogia do herói com destreza. Guerra Civil não só estabelece a trilogia do Capitão América como a melhor da Marvel. Até o momento, é um dos melhores filmes do estúdio!

4 comments

Leia também

Esse site usa cookies para melhorar a sua experiência. OK