CRÍTICA | Capitão Fantástico

by Thiago de Mello

Capitão Fantástico é o segundo filme escrito e dirigido por Matt Ross (o primeiro é o desconhecido 28 Hotel Rooms, de 2012). Até então, Ross era – pouco – conhecido por participações como coadjuvante em filmes como Psicopata Americano, Boa Noite e Boa Sorte e, mais recentemente, nas séries American Horror Story e Silicon Valley. Mas seu novo trabalho deve mudar isso.

Ben (Viggo Mortensen) vive numa isolada floresta do pacífico norte estadunidense, longe da civilização, onde cuida de seus seis filhos, ensinando-os desde filosofia até sobrevivência na selva. Mas num determinado dia eles precisam sair de seu lar e encarar uma nova realidade, embarcando numa jornada de experiências e aprendizados.

Capitão Fantástico

Capitão Fantástico

A narrativa segue os padrões de um road e feel good movie. Quem está familiarizado com esses gêneros consegue antecipar facilmente as convenções que virão. Mas isso não diminui o impacto da obra. Pelo contrário, a deixa ainda melhor, pois evidencia o conhecimento de Matt Ross quanto aos gêneros. Assim, o filme segue a cartilha com propriedade, utilizando-a em prol da narrativa. Não é o fator surpresa que alimenta o longa, mas o caminho até ele.

A beleza e originalidade de Capitão Fantástico se concentram na trama e personagens. A história, recheadas de simbolismos e críticas sociais, possui uma simplicidade exótica que conquista o espectador logo na abertura – e que boa abertura – do filme. Os minutos iniciais preparam o público para o que seguirá adiante com uma eficiência frugal. A direção de Ross se pauta nessa eficácia. É um trabalho sóbrio, sem arroubos técnicos ou criativos, focado numa narrativa objetiva e linear. A câmera mostra apenas o necessário, fornecendo as informações essenciais para o desenvolvimento da trama, e conduz o espectador por toda a construção e desconstrução dos personagens.

O trabalho de Stéphane Fontaine (Elle, Ferrugem e Osso), diretor de fotografia, define o tom otimista que permeia Capitão Fantástico. Toda a obra é bem iluminada, com uma paleta colorida e vibrante, até mesmo em alguns momentos inesperados. As cores ajudam a caracterizar os personagens, além de reproduzir um mundo positivo, mesmo diante situações cotidianas “negativas”.

A comédia é outro elemento fundamental que funciona com uma naturalidade refrescante. Quando menos se espera, utilizando críticas sociais e religiosas e citações filosóficas, o humor brota com genuína espontaneidade. A visão que a família – que mora isolada numa floresta selvagem – tem do “nosso” mundo, é de um humor observacional sincero e, ao mesmo tempo, ácido. O choque de realidades causa no espectador desde sorrisos discretos até boas gargalhadas. Mas nada disso funcionaria se não fosse o ótimo trabalho dos atores e atrizes.

Cada personagem, composto por características próprias, é muito bem assimilado e trabalhado por seus respectivos atores. São todos adoráveis em alguma instância, mas também possuem suas próprias falhas. Cada camada e idiossincrasia desenvolvem personagens humanos, facilitando a empatia do público. Até os atores infantis surpreendem e realizam atuações acima da média. Mas entre tantas boas atuações, duas se destacam: Mortensen e o veterano Frank Langella, que interpreta o avô das crianças, Jack.

Ambas as atuações são semelhantes: contidas, com intenções claras e de fácil aceitação. O espectador entende tanto Ben, quanto Jack, e se vê em certo dilema, pois as duas motivações e ações subsequentes são completamente compreensíveis. Ross acertou em cheio ao não criar um herói e um vilão. Cada um deles, de alguma forma, é um pouco de cada.

Conclusão

Capitão Fantástico é um filme que segue à risca o manual de road e feel good movies. Porém isso não é um demérito. A comédia, mesmo formulaica, é um dos melhores filmes do ano, graças à curiosa história, recheada de críticas e simbolismos; e aos personagens excêntricos, divertidos e, principalmente, humanos.

Capitão Fantástico estreia em 22 de dezembro.

E você, verá o filme? O que achou da crítica? Deixe seu comentário! E não esqueça de curtir e compartilhar! O Sete agradece.

 


 

Título original: Captain Fantastic
Gênero: Comédia/Drama
Duração: 1h58
Classificação:  14 anos
País: Estados Unidos
Direção: Matt Ross
Roteiro: Matt Ross
Cinematografia: Stéphane Fontaine
Trilha Sonora: Alex Somers
Elenco: Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Trin Miller, Kathryn Hahn, Steve Zahn, Elijah Stevenson, Teddy Van Ee,         Erin Moriarty, Missi Pyle, Frank Langella, Ann Dowd

 

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