CRÍTICA | Doutor Estranho

by Thiago de Mello

A primeira coisa que me chamou atenção em Doutor Estranho foi a mudança do logotipo da Marvel Studios. É besteira começar o texto com isso, eu sei, mas achei essa alteração bastante simbólica. Agora, a marca está mais estilizada, mas não deixa de ser a mesma boa e velha marca de sempre. Com Doutor Estranho acontece a mesma coisa.

Após sofrer um grave acidente automobilístico e ter sua brilhante carreira de neurocirurgião arruinada, o doutor Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) parte em busca de solução para os problemas motores resultantes da tragédia. Até que Strange vai até Catmandu, capital do Nepal, onde conhece A Anciã (Tilda Swinton), que mostra ao arrogante doutor uma nova realidade – ou múltiplas – que desconhecia. Durante o aprendizado, Stephen se vê em meio a uma batalha que pode definir a existência da humanidade.

Doutor Estranho

Doutor Estranho

O segundo filme da Fase 3 do Universo Cinematográfico da Marvel funciona como introdução de alguns novos elementos nesse cosmos. O primeiro deles é a magia. Aos poucos, os filmes de super-heróis foram desfazendo as amarras que os prendiam num certo tipo de “realismo”. E é em Doutor Estranho que esses nós são completamente desfeitos. O novo filme da Casa das Ideias mergulha de cabeça no fantástico, dando ao filme originalidade, além de riqueza visual – agora, se me permite, vou abusar do neologismo para descrever o que vi na telona – tão “caleidoscopcamente escheriana”. Assim, o 3D realmente vale a pena.

Outro novo elemento é, obviamente, o Doutor Estranho. O maior mago da Marvel possui substância para desenvolver uma boa franquia e, principalmente, seguir os passos do Homem de Ferro. É impossível não fazer essa relação graças à tamanha similaridade de ambos: heróis carismáticos, arrogantes, inteligentíssimos e, até, com cavanhaques perfeitos. Buscando preencher a lacuna que Tony Stark/Robert Downey Jr. deixará, a escolha por Cumberbatch foi certeira. O ator consegue transitar com naturalidade pelas características do herói sem nunca perder o carisma.

O longa também introduz a questão dos universos ou realidades paralelas e infinitas. Agora basta esperar e ver se o estúdio conseguirá tirar bom proveito disso. Entretanto, fora esses novos elementos, o filme segue à risca a cartilha da Marvel cinematográfica, incluindo as já conhecidas falhas. A começar pelo vilão.

Kaecilius (Mads Mikkelsen) é descartável e serve apenas como gatilho para conduzir o Doutor Estranho a novos desdobramentos de seu poder. Embora faça o melhor que pode com o que tem em mãos, Mikkelsen não vai além de expressões austeras. O que é uma pena pela qualidade do ator, que considero especialista em vilões – vide Le Chiffre (007 – Cassino Royale) ou Hannibal Lecter (da série Hannibal).

Mas é no desenvolvimento da trama que Doutor Estranho patina. Não por furos no roteiro ou coisa parecida, mas seguir a mesma linha de praticamente todos os filmes anteriores do Estúdio. Não há qualquer espaço para criatividades narrativas, deixando o filme com uma forte sensação de déjà-vu. Além disso, o longa novamente apresenta os já comuns equívocos como exagero nos diálogos expositivos ou piadas desnecessárias.

Conclusão

Doutor Estranho é visualmente estonteante e conta com um ótimo protagonista. Fora isso, repete formulas eficientes, mas ligeiramente batidas. O filme consegue entreter o público com alguns novos elementos, mas por baixo de toda riqueza visual, é o mesmo filme que a Marvel sempre faz, o que não deixa de ser bom, mas fica a impressão de que poderia ser sensacional.

PS: Há duas cenas pós-créditos!

Doutor Estranho estreia em 03 de novembro.

E você? Animado para o filme? O que achou da crítica? Deixe seu comentário! E não esqueça de curtir e compartilhar! O Sete agradece! Bom cinema!

 


 

Gênero:  Ação/Aventura/Fantasia
Duração:  1h55
Classificação:  12 anos
País: Estados Unidos
Direção: 
Scott Derrickson
Roteiro:  Jon Spaihts, Scott Derrickson, C. Robert Cargill
Trilha Sonora:  Michael Giacchino
Cinematografia: Ben Davis
Elenco:  Benedict Cumberbatch, Chiwetel Ejiofor, Rachel McAdams, Benedict Wong, Mads Mikkelsen, Tilda Swinton, Michael Stuhlbarg, Benjamin Bratt

 

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