CRÍTICA: GOOSEBUMPS – MONSTROS E ARREPIOS

by Thiago de Mello

Goosebumps – Monstros e Arrepios é um filme que não foge das clássicas convenções da comédia e aventura/fantasia familiar que se espera desses gêneros mas, ainda assim, constrói uma boa diversão com o material que possui.

O jovem Zach (Dylan Minnette) e sua mãe Gale (Amy Ryan) mudam-se para o subúrbio americano a fim de buscar novos ares após o falecimento de seu pai. Ao chegar à cidade, conhecem seus novos vizinhos: o famoso escritor de Goosebumps – série de terror/suspense e comédia juvenil – R. L. Stine (Jack Black) e sua filha, Hannah (Odeya Rush). Não tarda para que os monstros e criaturas que recheiam as obras literárias de Stine se libertem dos livros e ameacem a cidade.

A premissa básica do filme  – um mal obriga os protagonistas a encontrar uma solução e amadurecer no meio do caminho – não é inovadora. Na verdade, ela é bastante comum. Mas a direção de Rob Letterman e o roteiro de Darren Lemke, Scott Alexander e Larry Karaszewski encontram uma boa solução para contar uma velha história: a autorreferência e a homenagem.

No filme, R.L. Stine realmente existe e sua forte imaginação dá vida aos monstros. A cada livro que ele escreve, nascem novas criaturas: múmias, zumbis, um louva-Deus gigante, um boneco de ventríloquo e tantos outros. Mas há um motivo maior para a existência desses monstros. Eles não são meras criações literárias.

Goosebumps

Ao utilizar Stine como personagem do mundo que ele mesmo criou, Letterman conseguiu inserir algo “mágico” em nossa realidade. Novamente, embora não seja uma ideia completamente nova, o filme oferece uma gostosa e juvenil sensação de realismo fantástico.

Sempre há uma autorreferência lembrando que Stine existe, vende milhões de cópias e que influenciou leitores ao redor do mundo. E o filme assimila isso de maneira leve e consegue homenagear a importância de Stine para tantas pessoas. É curioso como mesmo sem ter lido qualquer livro da Goosebumps, eu senti que o trabalho de adaptação foi bastante fiel. E ainda me arrependi por não ter lido nenhum.

Porém nada disso seria possível se não houvesse um bom trabalho na escolha do elenco. A começar com Jack Black que faz exatamente se espera dele. Mas seu tipo de humor excêntrico encontra espaço e ele consegue entreter e fazer rir. Todo o elenco de apoio também mantém uma boa leveza durante o filme, como o amigo de Zach, Champ (Ryan Lee). O personagem é um tanto clichê, mas o Lee consegue interpreta-lo com graça.

Há, entretanto, um certo exagero na computação gráfica do filme, que me tirou um pouco da “realidade” que tanto gostei. Porém, não chega a atrapalhar de verdade. Infelizmente, ela só não se encaixa muito bem na textura do filme.

Goosebumps é um filme simples, quadrado, mas cativante. Quando o longa acaba, senti aquela gostosa sensação que tinha ao assistir um bom filme na Sessão da Tarde. E adoro esse sentimento!

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