CRÍTICA | Lembrança de Um Amor Eterno

by Thiago de Mello

Alguns gêneros cinematográficos não são para todos os públicos. Creio que isso aconteça por conta das particularidades e preferências de cada estilo e indivíduo. Eu, por exemplo, raramente desfruto de romances, o que não me impede de gostar de alguns. Afinal, antes do gênero, vem a qualidade da obra. Dessa forma, o romance/drama Lembrança de Um Amor Eterno (La corrispondenza), acredito, deve ser agradável para os fãs do gênero. Mas apenas para eles.

Amy Ryan(Olga Kurylenko), estudante universitária e dublê de cinema, e Ed Phoerum (Jeremy Irons), um genial astrofísico, se amam completa e incondicionalmente, mas a rotina diária de Phoerum impede um relacionamento próximo como almejam, restringindo a convivência deles à conversas via mensagens de celular, e-mails, cartas e Skype. Forças do destino intervêm no relacionamento, mas nem elas são o suficiente para impedir que isso se rompa.

Lembrança de Um Amor Eterno

Lembrança de Um Amor Eterno

Os primeiros minutos de Lembrança de Um Amor Eterno dão impressão de que será um filme diferente daquele que de fato acontece. Os diálogos de astrofísicos e quânticos entre Ryan e Phoerum parecem propor um tom mais metafísico ao longa. Essa ideia é corroborada por conta de algumas escolhas na direção de Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso, O Melhor Lance), como as constantes referências a realidades paralelas, as particularidades das supernovas ou debates sobre o entendimento do infinito. Tudo sugere um romance com um pé no fantástico. Assim, Lembrança se apresenta como uma obra um pouco perdido em seu próprio território.

Os personagens vivem em função do amor que sentem um pelo outro. Embora belo, isso abala o envolvimento com o personagem. As decisões de ambos são fundadas apenas no relacionamento, deixando tudo e todos que não fazem parte do mesmo fora da realidade de ambos. A ideia é valorizar o romance, mas acaba por evidenciar um egoísmo, principalmente por Ed Phoerum. O filme até percebe isso e discorre um pouco nas causas e efeitos das decisões do astrofísico. Mas não é o suficiente para quebrar o individualismo já estabelecido.

A personagem de Olga Kurylenko também não cria grande empatia com o público. Ryan parece não existir se não houver Phoerum. Dessa forma, a personagem fica irrelevante, sendo apenas reativa às ações do astrofísico.

Mas há, sim, bons elementos no filme. Embora um pouco confusa quanto ao tom, a direção de Tornatore é bastante aprazível. O diretor explora bem os ambientes e belezas naturais. Além disso, essa é a 12ª colaboração do diretor com o compositor Ennio Morricone. Embora não seja seu trabalho mais inspirado, a trilha sonora é cativante e sempre trabalha a favor das cenas.

Alguns diálogos também funcionam bem, principalmente quando se aventuram nas infinidades além da Terra. O roteiro (também de Giuseppe Tornatore) e direção criam bons paralelos com o romance do casal, dando uma mensuração abstrata mas inteligível do amor que sentem.

Lembrança de Um Amor Eterno é um romance com partículas dramáticas. O filme apresenta elementos interessantes, mas não os utiliza, dando a sensação de que algo melhor poderia acontecer. Todavia, é um bom trabalho focado para fãs do gênero, que devem sair satisfeitos da sala de cinema.

Lembrança de Um Amor Eterno estreia em 22 de setembro.

Gosta de romances? Quer ver o filme? O que achou da crítica? Deixe seu comentário! E não esqueça de curtir e compartilhar! O Sete agradece.


 

Gênero: Romance/Drama
Duração:
116 minutos
Classificação:
12 anos
País: Itália
Direção:
Giuseppe Tornatore
Roteiro: Giuseppe Tornatore
Cinematografia: Fabio Zamarion
Trilha Sonora: Ennio Morricone
Elenco: Olga Kurylenko, Jeremy Irons, Simon Johns, James Warren, Shauna Macdonald, Oscar Sanders

 

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