CRÍTICA | Logan

by Thiago de Mello

Logan deve ser a despedida de Hugh Jackman do personagem que o lançou ao estrelato. Seis filmes depois (não levando em consideração as breves participações em X-Men: Primeira Classe e X-Men: Apocalipse) e numa oscilação de extremos, um dos mais famosos mutantes de todos encontra sua forma ideal. Os fãs do ator, do personagem e, principalmente, de cinema, recebem um filme certeiro onde drama e ação trabalham em uníssono, resultando numa emocionante homenagem e despedida.

Em 2029 a raça mutante está quase extinta. Logan (Hugh Jackman), outrora Wolverine, se tornou alcoólatra e vive seus dias como um motorista de limusine. Além disso, seu poder de regeneração não é mais o mesmo. Enquanto sobrevive, Logan acaba se envolvendo numa busca por uma mutante fugitiva, Laura (Dafne Keen). Agora alvo de uma poderosa organização, ele e o Professor Xavier (Patrick Stewart), que estava a cuidados de Logan, ajudam a jovem Laura a fugir.

Logan

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É a primeira vez que Hugh Jackman tem a oportunidade de encenar um Wolverine com a censura adequada para o personagem: 18 anos. Essa classificação é fundamental para a trama. Não pela violência, mas pelo tom. Logan é um filme maduro, denso, fortemente centrado nos traumas, medos e dores dos personagens centrais. Sem a censura correta, ele não conseguiria desenvolver material tão pungente.

Logan é um filme guiado por personagens. Hugh Jackman, Patrick Stewart e a jovem Dafne Keen absorveram tal responsabilidade com precisão. Cada um, dentro de seus respectivos papéis, entrega um trabalho de contundência humana e grandioso. O personagem Logan, de andar cambaleante e corpo talhado por cicatrizes, demonstra uma fragilidade inédita até aqui, atormentado pelo passado que jamais é explicitamente mencionado. Essa decisão soma ao desenvolvimento do personagem. Não interessa o que aconteceu, simplesmente vale saber que foi algo que assombra os dias dele. A mesma coisa vale para Xavier, que se culpa por algo que fez. A culpa é o foco, e não o ato em si. Stewart capta essa essência e realizada um trabalho simplesmente memorável.

Diferentemente de ambos, o passado de Laura é revelado ao espectador. Nesse caso, por se tratar de uma personagem nova para o grande público, a apresentação é uma necessidade. Porém, a revelação carrega um pequeno exagero expositivo e conveniente. Um leve deslize numa narrativa bastante fluida. Quanto à atuação, Keen segue a linha de Jackman e Stewart. A jovem atriz é dotada de um carisma natural e uma presença imponente. A alternância entre inocência e agressividade funciona organicamente. Além disso, ela estabelece boa dinâmica com Jackman.

O enredo da história é simples. Num resumo extremo, trata-se de ir do ponto A ao B. A narrativa é linear e dotada de paciência. O filme não anseia em apenar criar cenas de ação. Ao contrário, ele toma seu tempo para desenvolver a realidade e conflito dos personagens. Essa atenção dá um ritmo cadenciado à trama, mas jamais enfadonho.

A violência é um ponto importante dentro da trama. Afinal, Logan/Wolverine possui uma bestialidade conhecida. Felizmente, a direção de James Mangold (Johnny & June, Os Indomáveis, Wolverine: Imortal) trabalha a ferocidade de Logan com grata competência. A violência, um tanto gráfica, é inerente ao personagem, além de ser um reflexo do passado que ainda o assola. Assim, mesmo gráfica, jamais fica gratuita.

O filme também é dotado de um humor esporádico.  Na maior parte das vezes, a piada acontece com naturalidade, arrancando uma gargalhada ou, pelo menos, um sorriso do espectador. São breves momentos de fôlego dentro de uma realidade demasiadamente triste. Vez ou outra, a piada fica um pouco deslocada e não obtêm o êxito almejado. Mas mais uma vez, apenas um pequeno deslize.

Conclusão

Logan é um filme à parte da franquia X-Men e Wolverine. Também se distância do gênero de super-herói. A maturidade tônica, carga dramática e o desenvolvimento de personagens inéditos dentro desses universos criam uma obra atrativa e emocionante, resultado de uma direção objetiva e atuações dedicadas. Ao final do filme, não estranhe se algumas lágrimas começarem a brotar.

Logan estreia em 2 de março, quinta-feira.

 


 

Título original: Logan
Gênero: Drama, Ação
Duração: 2h17
Classificação: 18 anos
País: Estados Unidos
Direção: James Mangolg
Roteiro: Scott Frank, James Mangold, Michael Green

Trilha Sonora: Marco Beltrami
Cinematografia: John Mathieson
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Boyd Holbrook, Dafne Keen, Stephen Merchant, Richard E. Grant

 

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