CRÍTICA | O Sono da Morte

by Thiago de Mello

Fui assistir ao O Sono da Morte empolgado pelo simples fato de não saber nada sobre o filme. Não vi nenhum trailer ou comentário, não sabia quem eram os atores, o diretor e nada do enredo. E o senso de descoberta foi me engajando no filme. “Quem é esse cara? E esse garoto? O que está acontecendo?” As questões começaram a brotar organicamente e minha atenção era total. Até o momento que comecei a entender como a história se desenrolaria. A partir daí, minha empolgação diminuía drasticamente e todo o potencial prometido no primeiro arco se desvanecia até culminar num final decepcionante.

Jessie (Kate Bosworth) e Mark Hobson (Thomas Jane) decidem adotar uma criança, após perderem seu filho. O casal adota o jovem Cody (Jacob Trambley), que possui pavor indescritível de adormecer e sonhar. Em pouco tempo os Hobson percebem que os sonhos (e pesadelos) de Cody se manifestam fisicamente e assim precisam buscar uma solução para esse problema.

O Sono da Morte

O Sono da Morte é decepcionante em aspectos como atuação, direção, roteiro. Mas o maior deles é que o filme jamais atingi o que busca. Há uma promessa explícita de suspense, drama e fantasia e embora haja, em cada um desses gêneros, bons momentos ao longo da história, eles são escassos e rápidos demais. Há uma impressão de que o filme sempre está para começar, mas não começa. A trama era promissora, mas a história não flui e acaba entediando o espectador.

A má execução do filme é a responsável por interpretações rasas de bons atores. Principalmente do jovem Jacob Trambley, cujo sou fã. O filme não oferece momentos de expansão do personagem, o que limita a qualidade de Trambley. Cody não passa de um garoto triste e assustado.

O mesmo se vale para Thomas Jane e Kate Bosworth. Cada um fica confinado à simplicidade de seu próprio papel, sem momentos de aprofundar seus personagem, criando uma atuação burocrática.

Como disse antes, há bons momentos no filme, mas são poucos e espassados. Ainda assim, vale mencionar, principalmente, a introdução aos dos sonhos de Cody. As cenas transmitem uma promissora atmosfera fantasiosa, além de uma ameaçadora presença. São momentos feitos com bastante cuidado e competência, mas que não se repetiram posteriormente.

Mas foi nos créditos que tive a maior decepção, quando surgiu o nome do diretor: Mike Flanagan (que também colaborou com o roteiro, ao lado de Jeff Howard). Responsável pelos ótimos suspenses como Absentia (2011), O Espelho (2013) e Hush: A Morte Ouve (2016), Flanagan não consegue repetir a tensão atmosférica que seus filmes carregam. Além disso, o diretor opta por jump scares previsíveis, apoiados unicamente em gritos musicais e rostos gritantes, e uma conclusão preguiçosa, diferentemente do que seus trabalhos anteriores ofereciam.

O filme ainda busca ser uma metáfora sobre perda, luto e superação, mas o discurso deixa de ser sugestivo e é basicamente narrado ao espectador, o que culmina num final óbvio, anti-climático e, bem, decepcionantemente brega.

O Sono da Morte não é um filme exatamente ruim. Há alguns poucos momentos de boa trama e execução, mas a decepção é latente pois possui uma premissa que permitia uma filme robusto, além de atores e diretores mais do que competentes para tal. Entretanto faltou sensatez em balancear os três gêneros almejados. Assim, o filme acaba antes mesmo de realmente começar.

O Sono da Morte estreia em 1º de setembro.

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