CRÍTICA | Os Smurfs e a Vila Perdida

by Thiago de Mello

Os Smurfs e a Vila Perdida é uma animação simples. A proposta é dialogar e entreter apenas as crianças. Os pais e mães que levarem seus pequenos e pequenas para assistir ao filme (talvez) terão raríssimos momentos de diversão. Até mesmo os pré-adolescentes devem ficar um pouco deslocados durante 1h29 de infantilidade que preenche a obra. Porém, dentro de sua proposta, Smurfs é funcional e transmite uma boa mensagem.

O filme é conduzido pela jornada de Smurfette (Demi Lovato), uma smurf feminina criada pelo malvado mago Gargamel (Rainn Wilson) para informá-lo sobre a localização da Vila dos Smurfs. Porém, ao chegar à Vila, a maldade inerente de Smurfette é substituída por uma candura graças à magia do Papai Smurf (Mandy Patinkin). Agora parte da comunidade dos pequenos seres azuis, Smurfette quer descobrir qual é sua identidade, sua aptidão, aquilo que a define, tal como acontece com todos os outros smurfs. E durante essa busca, ela se depara um Smurf desconhecido. Gargamel vê aí a possibilidade de finalmente capturar smurfs suficientes para tornar-se o poderoso feiticeiro que tanto almeja ser. Assim, cabe à Smurfette, Desastrado (Jack McBrayer), Gênio (Danny Pudi) e Robusto (Joe Manganiello) encontrarem os smurfs desconhecidos e avisá-los sobre os planos de Gargamel.

Os Smurfs e a Vila Perdida

Não há muito além do descrito acima. Durante a leve aventura, as crianças serão agraciadas com as muitas piadas de humor físico e falas e diálogos extremamente infantis. Enquanto isso resta ao público mais velho admirar o aspecto visual do filme, cujas cores e elementos cartunescos apresentam um resultado final cativante, mas apenas isso. Com exceção da água que aparece em determinado momento, não há nada que extrapole a barreira do “bonitinho”.

Porém, novamente, não há muito mais do que isso em Os Smurfs e a Vila Perdida. Cada personagem é dotado de uma característica definidora e todas as piadas são ramificações disso. O Desastrado sempre faz algo errado; o Gênio dá soluções; o Gargamel é mal; e por aí vai. Porém, é justo reconhecer que as roteiristas Stacey Harman e Pamela Ribon e a diretora Kelly Asbury souberam balancear bem a aura do material fonte com uma mensagem moderna. Todos os elementos característicos da série de 1981 estão presentes no filme. Mas seu diferencial é a mensagem final, seu maior mérito.

Enquanto os smurfs masculinos são definidos por suas habilidades (tal como era no desenho), Smurfette percebe que pode ser o que quiser. A Vila Perdida citada no título também é uma afirmação dessa mensagem, transmitida com naturalidade. A direção e o roteiro fizeram uma boa leitura do momento, onde se discute tão fervorosamente (e com razão) sobre o papel feminino nas mais diversas áreas, mas sem ignorar ou alterar o universo original.

Conclusão

Os Smurfs e a Vila Perdida é um filme unicamente focado nas crianças. O trabalho visual é admirável, mas não o suficiente para entreter pessoas mais velhas do que 12 anos. Porém, dentro de sua simplicidade, há um trabalho dedicado entre o antigo e o novo que termina numa importante e bem-vinda mensagem feminista.

Os Smurfs e a Vila Perdida estreia em 6 de abril.

 


 

Título original: Smurfs: The Lost Village
Gênero: Animação, Infantil, Comédia, Aventura
Duração: 1h29
Classificação: Livre
País: USA
Direção: Kelly Asbury
Roteiro: Stacey Harman e Pamela Ribon, baseado nos personagens criados por Peyo
Trilha Sonora: Christopher Lennertz
Elenco: Ariel Winter, Michelle Rodriguez, Joe Manganiello, Julia Roberts, Mandy Patinkin, Ellie Kemper, Rainn Wilson, Jake Johnson, Demi Lovato, Jack McBrayer, Danny Pudi, Gordon Ramsay, Gabriel Iglesias, Tituss Burgess

 

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