CRÍTICA | Ouija: Origem do Mal

by Thiago de Mello

O maior defeito de Ouija: Origem do Mal é ser fruto do péssimo Ouija: O Jogo dos Espíritos (de 2014). Quem assistiu ao primeiro já sabe como a prequela termina. Embora isso diminua o impacto da conclusão, todo o caminho até ela é surpreendentemente bom, dentro de suas limitações (censura baixa).

Los Angeles, 1965. A viúva Alice Zander (Elizabeth Reaser) ganha a vida criando falsas sessões espíritas em pessoas que buscam se comunicar com entes já falecidos, com a ajuda das filhas Paulina Zander (Annalise Basso) e Doris Zander (Lulu Wilson). A fim de melhorar o esquema, Alice compra um tabuleiro de Ouija para incorporar nas falsas sessões. Após a filha mais nova, Doris, brincar com o tabuleiro, coisas estranhas começam a acontecer.

Ouija: Origem do Mal

Ouija: Origem do Mal

A primeira coisa que chama atenção é a recriação atmosférica dos filmes dos anos 60, uma década importante para o cinema de horror com obras como Psicose, A Noite dos Mortos-Vivos, O bebê de Rosemary, Os Pássaros e tantos outros. A direção de Mike Flanagan (O Espelho, Hush: A Morte Ouve) desenvolve uma ambientação de época que vai além dos valores de produção básicos, como cenários e figurino. O filme apresenta detalhes como a logo antiga da Universal Studios, o título nos moldes dos filmes daquela época (com numerais romanos e ultra-estilizados) e até as “queimaduras de cigarro” – citadas por Tyler Durden em Clube da Luta. Cada detalhe dá um interessante tom ao filme e, caso o espectador perceba-os, cria um boa atmosfera para o suspense subsequente.

Flanagan não se apressa para assustar o público. Pelo contrário, a direção se preocupa, antes de mais nada, em estabelecer e desenvolver cada personagem. Ao fazê-lo, o espectador cria laços com a família Zander, dando relevância à mãe e filhas e tornando-as indivíduos com medos, sentimentos e, principalmente, motivos compreensíveis para tomar as decisões que tomam. Além da boa direção e roteiro (de Flanagan e Jeff Howard), mérito das atrizes.

Elizabeth Reaser realiza bom trabalho ao viver a mãe viúva que mesmo aplicando golpes, tenta mostrar às filhas que também tenta ajudar as pessoas que a procuram. Annalise Basso, a adolescente, consegue retratar o conflito com o trabalho da mãe, mas sem exagerar na “puberdade”. O luto pelo pai, a preocupação com a família, principalmente com a irmã, tudo é bem elaborado pela atriz. Mas quem se destaca é a jovem Lulu Wilson.

Papéis destinado a crianças são sempre complicados. Felizmente, Wilson consegue entregar uma atuação segura como a inocente caçula possuída por um espírito maligno. Era fácil dar errado, mas a atriz consegue cativar e, quando necessário, intimidar. A mudança entre candura juvenil e ameaça que Wilson oferece é precisa. Há um cena em que a personagem conversa com o namorado de sua irmã que é genuinamente sinistra, graças ao talento da jovem atriz.

Outro mérito do filme é a pouca utilização de jump-scares forçados. O filme presa pelo tom atmosférico, ao invés de recursos preguiçosos. Infelizmente, o problema do filme reside em sua origem e propósito.

Focado no público mais jovem (nos Estados Unidos, a censura é para maiores de 13 anos), Ouija cria situações tensas, mas não assustadores. A baixa censura não permite que o longa extrapole em momentos-chave, impedindo que essa tensão se transforme em terror. Há também um momento de exposição completamente desnecessário que parece julgar que o público não é capaz de acompanhar o desenrolar da trama. Por fim, por ser uma história de origem das assombrações de Ouija: O Jogo dos Espíritos, o filme precisa manter a continuidade. Não é exatamente esse o problema, já que o final é bom. Porém, quem assistiu ao filme de 2014 já sabe o que esperar e, mesmo sendo bem executado, fica demasiadamente óbvio.

Ouija: Origem do Mal é atmosférico, dedicado e cria sequências de boa tensão, graças à boas atuações, direção consistente e bom roteiro. Não chega a realmente dar medo, mas ainda assim é uma surpresa, muito acima de seu predecessor. Portanto, se você não assistiu O Jogo dos Espíritos, não o faça até ver Origem do Mal.

Ouija: Origem do Mal estreia em 20 de outubro.

E você? Animado para o filme? O que achou da crítica? Deixe seu comentário! E não esqueça de curtir e compartilhar! O Sete agradece! Bom cinema! 🙂

 


 

Gênero: Suspense/Terror
Duração: 1h39
Classificação: a definir por http://culturadigital.br/classind
País: EUA
Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard
Trilha Sonora: The Newton Brothers
Cinematografia: Michael Fimognari
Elenco: Elizabeth Reaser, Lulu Wilson, Annalise Basso, Henry Thomas, Kate Siegel, Doug Jones

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