CRÍTICA | Tamo Junto

by Thiago de Mello

Não basta disparar inúmeras referências pop, se inspirar em grandes filmes ou brincar aleatoriamente com metalinguagem. Se não houver estrutura, uma base sólida, tudo desmorona. E é isso que acontece com a comédia Tamo Junto.

Felipe (Leandro Soares) decide terminar o namoro pra se divertir mas acaba se deparando com as dificuldades da vida de solteiro. Pouco tempo depois ele reencontra Ricardo (Matheus Souza), amigo nerd de infância que jamais saiu das asas da mãe, e Julia (Sophie Charlotte), sua paixão juvenil que está prestes a se casar.

Tamo Junto

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O novo filme de Matheus Souza (Apenas o fim, Eu não faço a menor ideia do que tô fazendo com a minha vida) busca homenagear e até renovar algumas características do gênero de comédia adolescente, mas toma decisões bastante equivocadas para isso, a começar pelos personagens. Felipe quer apenas se ver solteiro. Nada mais o alimenta ou o constrói, a não ser a vontade de curtir uma farra. Em momento algum o filme fornece elementos para o espectador se importar com o protagonista que não passa de um adolescente de 20 e tantos anos. Pode-se até alegar que isso é uma brincadeira com o estereótipo desse tipo de comédia, mas isso não é o suficiente para justificar a falta de empatia dele. Simplesmente mal escrito, independentemente do objetivo.

Outro problema reside na atuação de Felipe e dos demais coadjuvantes. Cada uma delas é ruim de maneiras completamente diferentes. Leandro Soares é prejudicado, principalmente, pela limitação do personagem. Mesmo assim, nos poucos momentos onde o humor poderia funcionar, o ator não consegue fazer rir. Falta timing cômico, acima de tudo. A personagem de Sophie Charlotte padece por praticamente os mesmo motivos, mas ainda é um pouco pior. Enquanto Felipe é pelo menos honesto para com sua vontade de ser solteiro, Julia mantém um relacionamento sem real sentido, a não ser para impulsionar o arco romântico obrigatório da trama, tirando o filme daquilo que parecia ser seu eixo central: uma comédia despretensiosa. Entretanto, é o personagem Ricardo que compila e evidência os problemas determinantes de Tamo Junto.

O debute de Matheus Souza na atuação foi complicado. Além de dirigir e atuar, Souza também escreveu o roteiro (ao lado de Bruno Bloch e Pedro Cadore) que busca dialogar com comédias adolescentes. Mesmo sendo um fã confesso do gênero, o diretor não conseguiu extrair a sutiliza da narrativa e personagens, criando personas e situações que parecem cópias malfeitas de outros materiais como Dias Incríveis, American Pie, O Virgem de 40 Anos, Community e de clássicos como A Primeira Noite de Um Homem, além de vários outros. Os diálogos e eventos não são nada naturais, apenas forçados; e as características de seu personagem – e dos demais – não passam de estereótipos vazios. Os protagonistas de Tamo Junto são compostos unicamente pelas particularidades ruins dos personagens coadjuvantes dos filmes acima citados. Ou seja, não possuem elementos aprazíveis, apenas impertinentes.

O esforço do filme é o único elogio possível. Mesmo assim há um excesso que também prejudica a obra. Aparentemente preocupado apenas em fazer rir, o longa se apóia em desencadeamentos somente em prol da piada, ignorando a narrativa. Ainda que o começo do filme permita um sorriso discreto durante as inúmeras citações pop e metalinguísticas, o excesso rapidamente cansa o espectador. Além disso, as piadas funcionam mais pela curiosidade ao mencionar esse filme ou aquele jogo, do que pela graça em si. São vazias e arbitrárias. Se o filme focasse nesse humor mais despretensioso, talvez tivesse melhor sucesso. Mas a guinada para uma “dramédia” completamente deslocada e superficial prejudica ainda mais a experiência.

Conclusão

Tamo Junto tenta, e muito, ser diferente do padrão da comédia nacional que chega aos cinemas. Mas a execução é problemática graças às más escolhas de atores, personagens-estereótipos nada cativantes e uma história vazia e sem padrão definido, que busca apenas inventar situações favoráveis para piadas e diálogos que, ainda assim, soam deslocados e artificiais. Nem as constantes referências pop ajudam o resultado final.

Tamo Junto estreia em 8 de dezembro.

E você, verá o filme? O que achou da crítica? Deixe seu comentário! E não se esqueça de curtir e compartilhar! O Sete agradece.

 


 

Gênero: Comédia
Duração: 1h36
Classificação: a definir por http://culturadigital.br/classind
País: Brasil
Direção: Matheus Souza
Roteiro: Matheus Souza, Bruno Bloch, Pedro Cadore
Cinematografia: Vinicius Brum     
Elenco: Leandro Soares, Sophie Charlotte, Alice Wegmann, Matheus Souza, Fábio Porchat, Antonio Tabet, Rafael Queiroga, Augusto Madeira, Dida Camero.

 

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