CRÍTICA | Emoji – O Filme

by Thiago de Mello

Gene (T.J. Miller) é um emoji feliz que não consegue fazer expressão que precisa – a indiferença – e parte em busca de uma hacker, Rebelde (Anna Faris), que possa programá-lo antes que o dono do celular formate o aparelho, destruindo a cidade dos emojis. Assim, ele e o outrora utilizado Bate Aqui (James Corden) partem numa jornada para salvar o celular.

Essa é a premissa básica de Emoji – O Filme, criar uma “aventura” cômica e infantil que justifique o verdadeiro motivo do filme: merchandising. A tal “jornada para salvar o celular” nada mais é do que um artifício pobre e raso para guiar os personagens pelos diferentes aplicativos do aparelho. Prova disso é o roteiro trabalhar com a necessidade deles chegarem até o Dropbox. Mas antes, algumas paradinhas no Candy Crush, Spotify, Facebook, YouTube, Just Dance… e até uma carona no pássaro do Twitter.

Emoji – O Filme é uma vergonha nociva. Nada além disso

A nova animação da Sony Pictures Animation (Os Smurfs e a Vila Perdida, Goosebumps: Monstros e Arrepios) é vergonhoso, quiça nocivo, em vários aspectos. Em matéria de cinema, Emoji faz o mínimo para ser enquadrado como filme. Há imagem em movimento e som por um tempo finito. Fora isso, o roteiro e personagens existem apenas para transitar por aplicativos e divulgá-los ao público-alvo: crianças.

O pior, porém, é a mensagem final. Não a explícita – os emojis devem ser quem eles são ao invés de se encaixarem em padrões pré-determinados –, mas a implícita, aquela que acontece com os garotos e as garotas humanas que vivem debruçados e focados nos próprios celulares, com quem o público infantil obviamente criará algum vínculo. Emoji – O Filme sugere naturalidade no uso constante de celular, já que todas as crianças usam, em qualquer lugar, com repreensões mínimas dos adultos. Inclusive se encontram em lojas de celulares, onde o “amor” entre dois personagens floresce. E ainda há a pasteurização da comunicação e relações diretas. É através do celular que existe a interação e a linguagem pode, sem problemas, ser reduzida à imagética pueril dos emojis. Segundo o filme, essas carinhas são capazes de expressar qualquer sentimento da melhor forma possível, coisa que as palavras não fazem. E tal pensamento ainda encontra “corroboração” numa comparação vaga com hieróglifos. Simplesmente inacreditável.

Fora isso, sobra pouco para avaliar da animação. As cores e movimentos podem até divertir às crianças que ainda não tem idade para utilizar smartfones. Já as piadas são meros trocadilhos. O emoji do Cocô (Patrick Stewart) ora diz que não faz corpo mole, ora diz que é o número dois; O Bate Aqui oferece uma mãozinha; A Sorriso (Maya Rudolph) não para de sorrir; A Árvore de Natal deseja feliz natal; e por aí vai, reduzindo comédia a jogos de palavras.

Há formas de fazer bons filmes-propaganda (tal como Lego Batman: O Filme) que possuam substância, respeito ao público e, principalmente, integridade. Emoji – O Filme vai na contramão disso tudo e realiza uma vergonha nociva de varias formas.

Emoji – O Filme estreia em 31 de agosto.


 

 

Título original: The Emoji Movie
Gênero: Aventura, Comédia, Animação, Familiar
Duração: 1h26
Classificação: Livre
País: EUA
Direção: Tony Leondis
Roteiro: Roteiro de John Hoffman, Tony Leondis, Eric Siegel e Mike White
Trilha Sonora: Patrick Doyle
Elenco: T.J. Miller, James Corden, Anna Faris, Maya Rudolph, Patrick Stewart, Steven Wright, Jennifer Coolidge, Jennifer Coolidge, Christina Aguilera, Sofía Vergara, Sean Hayes

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