CRÍTICA | O Homem das Cavernas

by Thiago de Mello

O timing de O Homem das Cavernas é preciso. A animação não apenas utiliza o futebol como elemento narrativo em pleno ano de Copa do Mundo, como oferece uma boa mensagem de união justamente no momento onde a humanidade parece ansiar pela ruptura. Além disso, o filme é realizado com o stop-motion característico e adorável do estúdio britânico Aardman, responsável por célebres animações como Fuga das Galinhas e Wallace e Gromit. Mas com todos esses pontos positivos, por que O Homem das Cavernas não consegue encantar e divertir o público mais velho com a mesma qualidade das obras anteriores do estúdio?

O Homem das Cavernas acompanha Dug (Eddie Redmayne), o simpático membro de uma pequena e isolada tribo da idade da pedra que mora no oásis originado pela queda do meteoro que dizimou os dinossauros. A tribo levava uma vida pacífica até quando uma gigantesca criatura de metal os expulsa de suas terras. É a chegada da Idade do Bronze. Para sobreviver, Dug e sua tribo se unem para desafiar os dominadores no esporte mais adorado por eles: o futebol.

O Homem das Cavernas

‘O Homem das Cavernas’ deve divertir à criançada enquanto cansa os adultos

Com exceção das liberdades criativas e cômicas do roteiro de Mark Burton e James Higginson, não há novidades em O Homem das Cavernas. A animação é linear e objetiva ao utilizar o nonsense e humor físico para construir as diversas situações cômicas. Os personagens seguem o mesmo padrão, são elaborados por características únicas e individuais para guiar a narrativa até o moralismo conclusivo almejado.

Todas essas decisões dão a obra uma espécie de sensação burocrática. A identidade infantil de O Homem das Cavernas parece explorada de maneira preguiçosa optando por piadas cujo objetivo cômico é destinado unicamente às crianças. Mesmo com um cenário rico, aquela familiar magia do Estúdio não se apresenta com tanta frequência e carga, deixando boa parte do filme desinteressante para as mães, os pais ou quaisquer outros responsáveis mais velhos que acompanharão a sessão.

Mas se o foco nas crianças distancia os adultos, ele pode muito bem entreter os pequenos. A animação é feita com a mesma competência de outrora. Os personagens que possuem carisma o suficiente para conquistar o público-alvo. As liberdades histórias dão boas anedotas e algumas soluções criativas para as diversas situações do roteiro.

Mesmo em detrimento da lógica geográfica, o filme consegue elaborar boa dinâmica nas sequências de futebol. Há um olhar apaixonado sobre o esporte também caracterizado por jogadas plásticas e divertidas. Os personagens possuem boas características dentro do jogo, o que ajuda nessa dinâmica. O equilíbrio cálido das cores também dá um conforto à experiência até o clímax cheio de mensagens otimistas.

O Homem das Cavernas é um filme propositalmente raso. Ele foca nas crianças para discursar sobre a importância da união mesmo em tempos de regentes mimados, gananciosos e abusivos (Trump?). Não há diálogo com o público mais velho que deve achar a 1h29 de projeção muito mais longa da que é. Mas a boa mensagem para vale o esforço.

 


 

 

Data de estreia: 5 de abril
Título original: Early Man
Gênero: Animação, Aventura, Comédia, Infantil
Duração: 1h29
Classificação: Livre
País: EUA, Reino Unido, França
Direção: Nick Park
Roteiro: Mark Burton e James Higginson adaptando história de Mark Burton e Nick Park
Edição: Sim Evan-Jones
Cinematografia: Dave Alex Riddett
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams, Tom Howe
Elenco: Eddie Redmayne, Tom Hiddleston, Maisie Williams, Timothy Spall, Richard Ayoade

 

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